Animais e Ética

Animais e Ética

Em um dos poucos comerciais simpáticos, veiculados pela televisão, nos últimos tempos, um senhor, já de cabelos brancos, dizia:- “Pra onde é que este mundo vai!..”
Não que deva ser característica apenas das pessoas mais velhas, esse tipo de reflexão. Pelo contrário! Quem vai herdar o mundo de agora são os jovens e, portanto, sendo os mais interessados, é imperativo que participem do processo. O meio em que vivemos nos influencia e, em contrapartida, influenciamos o meio, na medida em que ouvimos e nos fazemos ouvir.
Dizem que, às pessoas que construíam a bomba atômica, foi perguntado se elas tinham alguma preocupação ética. “Não – responderam elas – nosso interesse é resolver o problema técnico. Ética é com os políticos!”.
É do meu entendimento que essa é uma postura totalmente equivocada! Precisamos ter responsabilidade naquilo em que participamos.
Assim é que proponho, neste momento, uma reflexão sobre o tema deste artigo: Animais e Ética, uma vez que, já como alunos, vocês estão inseridos na questão.
Mas, antes, vamos rever alguns conceitos básicos sobre a Ética.
Ética (do latim ethica e do grego ethike) é o ramo da Filosofia que trata do comportamento humano buscando, o ser humano, alcançar os seus fins ideais, o bem. Dessa maneira, é considerado bom tudo o que seja útil para a plena realização desses bens e que ajude a alcança-los como fins.
Cada sociedade ou comunidade acaba por eleger, em determinado momento de sua historia, um padrão de atitudes, de conduta dos indivíduos que a representam, como sendo o desejável, o esperado. Passa a existir, então, uma força direcionadora do comportamento, um “comando vindo de fora”. A normatização desses procedimentos é da alçada da Deontologia (do grego déon = dever, obrigação), que significa o “Tratado do Dever”.
Existem, portanto, o bem individual e o bem coletivo os quais, em situação ideal, seriam concordantes ou coincidentes.
E agora vamos mais fundo na questão! Dentro da Veterinária, a que bem estamos nos referindo, como finalidade da Ética e da Deontologia? E ainda, inserida nessa consideração, de que maneira encaramos os animais? São seres merecedores da nossa sensibilidade, e mesmo do nosso respeito, ou não passam de meros “ objetos”de nossa exploração?
Existem, basicamente, duas tendências que norteiam a maneira como vemos os animais. Uma delas remonta ao paradigma antropocêntrico, isto é, modelo de conduta e de valores que em tudo visa unicamente o bem-estar do homem, enquanto a outra se apóia no paradigma biocêntrico ou ecocêntrico, que se ocupa não apenas com o bem-estar do ser humano, como também respeita as condições inerentes aos outros seres vivos. Estamos em fase de transição! Muitos ainda se apegam a postura antropocêntrica, que pe antiqüíssima! São coerentes a ela, por exemplo: procedimentos de obtenção de produtos de origem animal ( carne, leite, ovos, etc.) que sejam economicamente lucrativos, sujeitando os animais a toda sorte de sofrimentos, como estresse de varias naturezas, confinamento extremo, descorna e castração sem anestesia, abate nem sempre “humanitário”, debicagem e “muda forçada”( em aves); procedimentos clínicos e cirúrgicos como a caudotomia ( corte de cauda ) e