ANIMAIS: qual a sua verdadeira natureza?

O ser humano, desde sempre, subjuga e explora os elementos da natureza para tirar deles o máximo proveito em seu próprio benefício (paradigma antropocêntrico – antropós do grego = ser humano). Nesse panorama, Aristóteles (século IV a.C.) representava a natureza em uma grande pirâmide, com os seres mais simples na base e os mais complexos acima, com destaque para o ser humano no ápice da formação.              

            No século XVII acontece um movimento cultural importante com a participação de figuras notáveis, entre elas René Descartes, que concebe o universo e os seres vivos como “máquinas”. Esses eminentes cientistas e filósofos eram profundamente religiosos, com senso comum que apenas os seres humanos possuíam alma, sendo a sensibilidade, um de seus atributos. Nesse contexto, atribui-se a Descartes a recomendação de que gemidos, uivos e lamentos emitidos por animais jamais deveriam ser interpretados como sinais de dor/sofrimento, mas sim como automatismos da “máquina”, à semelhança de como são produzidos os ruídos de uma roda de carroça em movimento. Até hoje temos resíduos dessa postura, haja vista a maneira como os animais são produzidos e abatidos para o consumo humano, como são utilizados nos espetáculos de diversão humana e como são disponibilizados nos laboratórios de pesquisa. Portanto, eles ainda são vistos e tratados como “máquinas” insensíveis, como “coisas” utilizáveis e descartáveis.

 

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