Chimpanzés – Estadão

Até quando?

E lá se vai mais uma chimpanzé, a Suíça, de “morte morrida” ou de “morte matada”, não se sabe … Deve ir para o mesmo lugar do céu onde estão todos os outros macacos, que tripularam naves espaciais, foram submetidos a testes automobilísticos de impacto, foram inoculados com HIV ou tiveram seus cérebros expostos, em estudos macabros.
Suíça vivia só e aprisionada, há anos, no Jardim Zoológico de Salvador, em ambiente restrito. Entrou em depressão, como a Washoe, uma das chimpanzés de Roger Fouts (“O Parente Mais Próximo”, 1998).
Gente corajosa tentou um hábeas corpus”, mas o juiz era torcedor do “antropocentrismo”!
Há quase 30 anos, o astrônomo e biólogo Carl Sagan já exarava, em “Os Dragões do Éden”: “Se os chimpanzés têm consciência, se têm capacidade de abstração, não devem eles ter acesso àquilo que se convencionou chamar até agora de direitos humanos? Que inteligência terão de atingir até que seu assassínio seja considerado crime?”
Pois é! O elaborado psiquismo desses animais, a similitude entre o seu cérebro e o cérebro humano, sua capacidade de auto-consciência (Gallup, Science, no. 167, 1970) e a diferença de menos de 1% em relação ao nosso genoma, ainda não foram argumentos suficientes.
Nada o será, enquanto o homem não se dispuser a olhar no fundo dos olhos dos outros seres e “sentir” que não é o dono do mundo, apenas pertence a ele!